sábado, 18 de junho de 2011

"O salário não interfere no trabalho do professor !!!" (????)

Em uma saudável discussão com um colega de trabalho, sobre o salário dos professores, ele proferiu as seguintes sentenças, o pior é que já a ouvi inúmeras vezes, principalmente de alguns pedagogos e de economistas especialistas em educação:

“Aumentar o salário do professor não vai aumentar a qualidade do trabalho dele”

“O professor pode ganhar do estado R$5.000,00 por mês que ele irá querer trabalhar mais, não irá reduzir sua carga horária para ganhar mais...”

“Dizer que meu baixo salário interfere no meu trabalho é admitir que meu trabalho é uma porcaria...”

Caramba, fiquei extremamente preocupado quando um professor, crítico por natureza, profere essas seguintes frases.

A primeira é facilmente contestada: Se você está preocupado em pagar suas contas e faz uma tripla jornada, é humanamente impossível, que você esteja realizando um bom trabalho. As pessoas esquecem que o corpo humano cansa, necessita de repouso e ainda, você está sem tempo para se atualizar. A qualidade do trabalho fica comprometida e, não por incompetência do professor, mas simplesmente por que o corpo e a mente não aguentam. As doenças e as síndromes como a de Burn out, aparecem.

A segunda frase, realmente eu concordo em parte, pois existem várias pessoas gananciosas e mercenárias, inclusive professores. Mas a solução é bem simples: normatiza (exija dedicação exclusiva no Edital) e, ainda, fiscalize, passe um pente fino na vida dos professores regularmente e, pronto, problema resolvido !!

O outro também é facilmente contestável. É claro que não considero o meu trabalho e nem o de nenhum colega meu uma porcaria. Fazemos o que podemos, o que está em nosso alcance, mas tendo tripla jornada, o trabalho fica comprometido e, admito, que ninguém em más condições realiza um trabalho de excelência, afinal ele está comprometido.

Sem contar que os baixos salários interferem diretamente na educação e na vida do aluno, pois são a principal razão para as exonerações diárias que acontecem no governo do Estado. Desse jeito as Seeducs estarão sempre com falta de professor e, os alunos, sempre com defasagem de conteúdos.


Bem, leêm essa matéria, vale a pena !


http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2011/06/professores-fazem-ate-jornadas-triplas-para-aumentar-renda.html

3 comentários:

  1. Fala fessor !!!

    Acredito que o colega quis dizer era para a discussão NÃO ficar focada apenas na questão salarial, que - quer queiramos ou não - acaba sendo o foco dos debates; quando na verdade a coisa deveria ser mais holística. Pois como você bem sabe (e já conversamos diversas vezes sobre isso) o salário é apenas um dos obstáculos para a uma prática docente de sucesso.

    Outro desconto que peço sobre a declaração sobre salário está no "calor" dos debates, onde sempre vemos pessoas NADA engajadas na prática docente proferindo opiniões falaciosas, cujo teor ESTÁ sempre amarrado à questão salarial. E isso irrita, não é mesmo?

    Até porque essas mesmas cabeças na hora que estoura uma greve são as primeiras a não apoiar o movimento. Por que será? Por causa do medo de ficar sem o..."ssaal....."!!!! (rsrsrsr)

    Concordo que a normatização resolveria com a ganância de querer sempre mais e mais. Mas também concordo que se nós ficarmos focados nesse debate raso (salário = melhor prática) a gente vai estar sendo enquadrado na condição de "peão da educação"; pois operários dela nós já somos. Perdemos o status de mestres, educadores, transformadores de mentalidades e pensadores que possuíamos.

    Forte abraço e fique frio.

    ResponderExcluir
  2. Independente das pessoas que usam o salário como desculpa para seu desinteresse profissional.

    Nosso colega NÃO DISSE para a discussão NÃO ficar apenas focada na questão salárial, as frases dele foram claras.

    Agora, independente dos maus profissionais,sem consciencia de classe e que se escondem no salário, a luta por melhores condições de trabalho e pela qualidade da educação passa pela valorização de nosso sal.... Talvez seja a nossa principal luta hoje.

    O governo perde bons profissionais a cada dia, não me lembro de quando a SEEDUC/RJ esteve com o quadro de professores completo. (ela já teve um dia????)

    Não considero o debate sobre "salário = melhor prática" raso, mas cada um tem sua opinião e democracia é respeitar as divergencias. Se esse debate não existir estaremos sempre mal remunerados e deixaremos de ser "operarios" para sermos ESCRAVOS da educação, ou melhor da SEEDUC/RJ.

    É claro que existem outros fatores que interferem no nosso trabalho, como o próprio desinteresse nos alunos, escolas mal estruturadas, avaliações de desempenho gerando uma competitividade (quase capitalista) entre professores e escolas feitas através de critérios que ainda não ficaram muito claros, para não dizer absurdos.

    Mas acho que o principal é que temos uma série de governos e, consequentemente, secretários mal preparados e, já reparou que ninguem fica muito tempo no cargo?

    Vale cultura (você sabe a minha opinião, de que isso pode ser o maior "gol contra" da educação, face as conversas que temos com nossos colegas).

    Ah quanto a normatização, nossa profissão carece disso faz tempo, inclusive quanto as nossas obrigações, que mudam a velocidade das canetadas dos secretários de educação.

    bem, não to com vontade de escrever muito agora !

    abraços

    ResponderExcluir
  3. Olá novamente,

    Fala fessor !!!

    Vc entendeu, muito bem, o que eu quis dizer e sobre quem.

    Falei pra vc ficar frio. Mas se vc continuar assim vou ser forçado a pegá-lo na hora da saída da escola (rsrsrs......).

    ResponderExcluir