domingo, 13 de março de 2011

O caminho do meio: Lições do Passado no mundo presente


O consumismo é um padrão de comportamento cada vez mais presente no mundo atual. As pessoas fazem compras, muitas vezes sem necessidade e não percebem o mal que estão fazendo a sim mesmas. Fomos educados a pensar que quanto mais possuímos, mais valorizados somos. É freqüente agente ouvir de uma personagem feminina de alguma novela ou filme dizer que quando está triste vai ao shopping, as compras. Reparem que ninguém cria uma personagem que medita e busca a solução para o problema, pois a solução já foi dada: Fazer Compras, gastar, gastar e gastar. Mas isso não é exclusividade do sexo feminino, há algum tempo atrás, ouvi de um colega a seguinte pérola: “Comprei um carro, agora sou um homem de verdade !” Isso me faz pensar: Onde estão a honra, o caráter, a palavra, a fé, etc? O jovem senhor só se sentiu um homem depois que comprou um carro!

As pessoas hoje vivem como esses personagens: ostentam suas compras para os outros e se sentem superiores aos outros por possuírem o carro mais caro, por morar na zona mais cara da cidade, etc. Passam a ostentar suas riquezas como se isso fosse a real felicidade.

O consumismo vive de uma idéia de que comprar traz felicidade e, principalmente nas épocas de festas de fim de ano a pressão para o consumo é enorme, logo aparecem as propagandas de grandes magazines oferecendo promoções ilusórias, mas que de tão insistentes, nos estimulam a comprar cada vez mais. A pressão é tão grande que ficou praticamente impossível não presentear uma criança no Natal, por exemplo. Imagina como ela irá se sentir diminuída perante as colegas se não for presenteada?

O mundo do trabalho se tornou extenuante e competitivo ao excesso. A enorme competitividade e o fantasma do desemprego – acompanhado das sensações de fracasso pessoal, incapacidade, incompetência, e tantos outros – nos levaram a criação de um aspecto nefasto no sistema mundo que vivemos: O individualismo se sobrepõe a individualidade. Os chamados pecados capitais das religiões do tronco judaico são aflorados no individualismo, não trabalhamos apenas pelo dinheiro, mas pela vaidade e pela ganância. Quantas pessoas se sentem orgulhosas dos cargos que conquistaram, muitas vezes pisando em cima de outras pessoas, fazendo conchavos e agindo sem qualquer ética?

Quando nos vemos exageradamente estressados, geralmente, qual a solução encontrada se não nos metermos nos excessos da vida: Fumar dois ou três maços de cigarro por dia, beber exageradamente, comer demais, praticar exercício físicos demasiados, passamos a não ter uma vida sexual sadia, onde o objetivo do ato sexual passa a ser o desestresse e não um ato de amor. Ou seja os vícios em nosso sistema mundo passam a ser a normalidade e estranho e louco passa ser aquele que se recusa a fazer parte desse jogo, que no fundo, os únicos beneficiados são os detentores dos meios de produção, e diga-se de passagem, só traz benefícios matérias, por que os espirituais a história é outra. Esses vícios geram cicatrizes no corpo e na alma e acaba muitas vezes necessitando de tratamento médico, aqui e na “vida após a vida”.
Quantos de nós passam tanto tempo trabalhando e quando chega em casa, mal dá um beijo de boa noite na esposa (ou marido), toma um banho, assiste uma novela e vai durmir? Quantas pessoas não passam o tempo devido com seus filhos, chegam em casa agressivos, pois precisam extravasar os problemas do trabalho e descontam naqueles em quem mais ama e tentam compensar as ausências e agressividades com presentes e mimos? Quando se dão conta, perdem a (o) companheira(o) e são vistos como estranhos pelos próprios filhos. E aí recorrem aos amigos... mas que amigos? Foram todos embora, se sentiram esquecidos e simplesmente tocaram suas vidas para frente...

O homem ou a mulher que se afoga no trabalho e nos vícios acaba atraindo para si vários problemas, pois sua mente está voltada para uma tarefa e acaba esquecendo dos principais valores da vida: A família e os amigos. A família se deteriora e seus filhos geralmente vão mão na escola, muitos se entregam aos vícios do álcool e das drogas e aí começa a verdadeira degradação social. Quando a família não cumpre seu papel de “porto seguro” da sociedade, é sinal que ela em todos os seus aspectos vão mal.

Tentando resumir, quanto mais nós nos afundamos no sistema de vida que criamos, mas nos afastamos dos verdadeiros valores da vida.

Nem falamos que para sustentar esse padrão de consumo que se exacerba nesse mundo atual, estamos esgotando cada vez mais os recursos naturais não renováveis de nosso querido planeta, poluímos rios e mares e o ar está se tornando cada vez mais uma fonte de doenças. Além disso, os menos favorecidos, se tornam pessoas endividadas e mesmo que não consumam tanto, passam varias minutos, ou mesmo horas, em algum transporte público e da mesma forma, quase não possuem tempo para se dedicar a família.

Então, devemos parar de tomar nossa cervejinha com os amigos? Sair de nossos empregos e mergulharmos numa vida de privações e vivermos de esmolas? Mas o que é um asceta numa cidade grande como Rio de Janeiro ou São Paulo? Olhe para o rosto de um mendigo, olhe em seus olhos e veja se aquela alma está feliz. Na realidade tratasse de um espírito doente, de uma alma que se recusa a cumprir sua missão carnal de evolução. Basta vermos que a grande maioria está entregue aos vícios como o álcool e cometem pequenos delitos para sobreviver. Um mendigo de uma cidade grande está bem distante da idéia original de uma vida asceta.

Ter uma vida de privações nesse sistema capitalista é terrível e existem coisas que não podemos mais deixar de fazer, como por exemplo, trabalhar e estudar, pagar nossas contas, ir ao mercado, comprar roupas, pagar o aluguel ou a prestação de seu imóvel, etc. Não tem jeito, de uma forma ou de outra, temos que consumir. Tornar-se um mendigo ou asceta não é a solução: você estará apenas fugindo do real problema, e numa crença de que a vida é um ciclo de constantes encarnações, o estará adiando para uma vida futura.

Não se trata aqui de pararmos de sentir os prazeres carnais, como a diversão com os amigos, assistir um bom show de música ou degustar um bom vinho e nem tão pouco deixar de se privar de uma noite de amor com sua companheira. Não é nada disso. Não devemos deixar de confraternizar com nosso amigos, de tomar uma cerveja que ajuda a relaxar, não existe crime em querer ter um bom carro na garagem, nem em querer ter sua casa própria e nem em querer pagar o melhor colégio para seus filhos.

Sidarta Gautama em sua busca pela iluminação abandonou o palácio luxuoso em que vivia e passou 6 anos como asceta e viveu de esmolas, praticou todos os tipos de autocrueldade: ficava dias sem comer, durmia em camas de espinhos ou em cemitérios. Aos poucos descobriu que a vida asceta não servia para iluminar a mente, servia apenas para a entorpece-la. Descobriu que a felicidade não estava nem na vida de prazeres excessivos e nem na vida asceta: descobriu que a felicidade está no equilíbrio, que chamou de o “Caminho do Meio”.

Anos antes de Cristo, os filósofos Sócrates e Platão diziam a mesma coisa, atribuíam o “caminho do meio” do equilíbrio como a grande fonte da felicidade.

Evite o consumo exarcerbado: para que algumas mulheres possuem mais de 40 pares de sapatos para dois pés? Você não precisa de trocar de carro a cada ano e nem de estar usando o celular da moda para se sentir superior aos seus colegas de trabalho, se aquele que você está usando está atendendo as suas necessidades.

Cuide de sua saúde, afinal ela é imprescindível para que você realize todas as atividades de sua vida. Procure o equilíbrio em sua vida, não coma demasiadamente, evite os vícios não beba muito: um copo de vinho ou dois copos de uma boa cerveja já são o suficiente para relaxar. Lembre que o primeiro milagre do Cristo foi transformar a água em vinho em um casamento. Enquanto digerir o seu vinho ou a sua cerveja favorita, procure apreciar o seu sabor e contemple para estar saciado, faça o mesmo com um prato de comida e verá que a fome estará saciada no fim de sua alimentação. Caso sinta vontade de nunca mais ingerir álcool, o faça e verá que ele no fundo não fará falta em sua vida. Evite o fumo ativo e jamais use entorpecentes. Pratique esportes, caminhe, corra na praia, Pesquise na Internet textos de sua profissão, leia livros técnicos, mas não se esqueça de uma boa história em quadrinhos; assista o jornal mas também uma boa comedia, dê rizadas com seus amigos, fale bobagens, pois a vida não deve ser levada a sério o tempo todo. 1

Cuide de sua carreira com amor, dê o melhor de si em seu trabalho, mas enquanto estiver no seu local de trabalho. Nos fins de semana vá a praia com seus filhos, não esqueça de levá-los ao cinema ou a algum lugar que eles queiram ir. Leve sua esposa ao teatro ou, até mesmo ao motel e transforme o sexo em ato de amor ao invés de um ato de busca incessante por prazer. Visite seus amigos e seus parentes. Pense na ultima vez que esteve junto das pessoas importantes de sua vida.

Não viva como se esse hoje fosse o último dia de sua vida, pois o amanhã sempre existe, seja na vida carnal ou espiritual. Viva sem pressa, ande devagar e sempre para frente, observe a paisagem e todas as variáveis que podem existir para você chegar ao seu objetivo com menor esforço e com mais sabedoria. Valorize o que você já conquistou, agradeça e não deixe de mirar em novas conquistas, pois afinal elas nos alimentam e nos dão força para continuarmos em frente.
Para o Geógrafo Milton Santos o mundo é dos homens lentos, pois são eles os capazes de transformar a sociedade. Evite a preocupação e lembre-se daquela frase de um episódio da série Kung-fu, estrelada por David Carradine: “Se eu me preocupar o futuro irá mudar?” e não se esqueça: Confie sempre no Deus interior que existe dentro de você e lembre-se que para os budistas a semente da iluminação existe dentro do coração de cada homem.

Seguir o caminho do meio2 é ter coragem, é ter a coragem de dizer Não quando alguém te pedir para fazer algo que fira a sua ética, ou simplesmente quando aquilo que te pedirem te tirar de sua estrada da busca pela felicidade.

Viver sem vícios é ser livre, é viver de verdade sem privações e nunca seja escravo da busca pelo prazer. Lembre-se de que conseguindo essa alquimia interior de trilhar o caminho no meio, todos serão beneficiados, de sua família a toda a humanidade, pois os recursos naturais são esgotáveis e um dia terão fim.


1 Parte desse texto foi inspirado em Tom Coelho, “O caminho do Meio”
2 Para saber mais sobre o caminho do meio, do ponto de vista budista, leia o Caminho do Meio de Rogério Malaquias, disponível em http://www.rubedo.psc.br/Artigos/camimeio.html

Um comentário:

  1. O consumismo e a inversão de valores: alunos não compram um livro sequer,dicionário,porque acham um absurdo o professor exigir isso deles!Mas compra tênis caros e celulares idem!

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