quarta-feira, 9 de março de 2011

Fatores que ajudam no fracasso da Rede Estadual de Ensino

Os meios de comunicação e o que está dito nas entrelinhas no plano de metas, o famoso Nova Escola III, culpam os professores pelo fracasso da Rede Estadual do Rio de Janeiro. Não precisa ser um observador atento para ver que o “buraco é mais embaixo” e que vai muito além da responsabilidade dos profissionais envolvidos diretamente no processo ensino aprendizagem:

* Baixa remuneração dos professores: Incorporação do NE em 7 anos não tende os anseios da classe e, não nos coloca no mesmo patamar de outras instancias públicas dentro de nosso Estado, e ainda, induz a evasão de professores.

* Grande evasão de professores. Se alguem duvida que isso ocorra, repare na grande quantidade de convocações de professores e da regularidade de concursos públicos que NUNCA conseguem suprir as necessidades das redes.

* Alunos sem os pré requisitos necessários: Os alunos chegam, em maioria vindo das prefeituras, mal formados, muitas vezes analfabetos funcionais,

* Turmas super lotadas: Não existe um limite máximo para a formação de uma turma, o limite máximo deveria ser de 25 alunos, com mais 5 sendo considerado excesso

* “Otimização de turmas”: O limite mínimo de uma turma não condiz com a necessidade de um bom ensino, deveria ser baixado de 20 para 10 alunos, caso não crie uma outra turma superlotada. Na realidade essa medida apenas mascara o problema de evasão de professores

* Aumentar o número de escolas em todos os níveis de ensino: a rede é insuficiente para atender uma demanda que vise à verdadeira otimização do aluno (com turmas pequenas e que permitem o trabalho.)

* Horário Integral: O aluno deve ficar mais tempo na escola, para que atividades diversificadas sejam executadas

* Ausência de participação da família,geralmente nas reuniões só aparecem os responsáveis dos bons alunos e os dos alunos que precisam de uma maior atenção da família, raramente aparecem !!!

* A “pressão” existente para que o aluno seja aprovado, vemos isso principalmente nas prefeituras, onde o aluno é mal formado e “empurrado” para a rede do Estado.

* A falta de outros profissionais pedagógicos como psicopedagogos, psicólogos, Orientadores Educacionais, Orientadores Pedagógicos, etc.

*A má interpretação das teorias pedagógicas feitas por pedagogos despreparados que sempre culpam o professor de tudo.

* O aluno é coitaidinho: o aluno é um ser em construção, mas quando é indisciplinado, algumas direções se mostram permissivas e sempre contra o professor, muitas vezes sem apurar os fatos direitos. As direções se tornam permissivas demais. Não querem se comprometer com a comunidade.E sempre é um coitadinho, nunca vai passar disso, então é aprovado por pena.

* A volta da meritocracia para o ALUNO: Precisamos voltar a separar as turmas dos alunos “Fortes” dos “fracos” pois a educação inclusiva acaba excluindo o bom aluno. O bom aluno precisa ser reconhecido dentro da instituição de ensino e, precisamos de condições para preparar melhor aquele aluno que faz por merecer melhores oportunidades na vida.

* Transporte: O sistema de transporte, principalmente no interior do estado, se recusa a transportar os alunos e, a noite, muitas vezes deixa o aluno sem transporte o que favorece. A diminuição de vans na Região dos lagos, dificultou o transporte dos próprios professores dentre as cidades da região

* Segurança, em várias escolas os profissionais trabalham com medo, pois são áreas dominadas pelo tráfico de drogas, o que favorecem alunos violentos

* Leis mal elaboradas e que deixam margens à varias interpretações, como o ECA que tiraram a autoridade do professor.

Retrato aqui alguns dos problemas encontrados, e existem tantos outros de ordem política e social. A solução política apresentada pela nossa Secretaria está fora da realidade e se encontra muito distante de solucionar os problemas educacionais de nosso Estado.

Resumindo: Chega de políticas públicas educacionais ineficientes que não atacam as raizes do problema. Culpar o professor é muito fácil, mas cadê a boa vontade política?

Um comentário:

  1. Nossa,professor!Tantas coisas interessantes para comentar nesse texto! Até twittei ele! Vamos lá!

    1º-"Alunos sem os pré requisitos necessários: Os alunos chegam, em maioria vindo das prefeituras, mal formados, muitas vezes analfabetos funcionais."

    Isso é uma realidade forte em nosso Estado! Alunos chegam ao E.Médio(seguimento em que atuo) me perguntando coisas do tipo:"O que é pra fazer nesse exercício?",estando os enunciados na cara deles.Eles lêem mas não conseguem interpretar.Isso é gravíssimo!

    2º-"Ausência de participação da família,geralmente nas reuniões só aparecem os responsáveis dos bons alunos e os dos alunos que precisam de uma maior atenção da família, raramente aparecem !!"

    Não vejo NENHUM governante mencionando isso! O que está acontecendo com as famílias? Cadê as cobranças??? "Vai estudar,meu filho!","Se não fizer o dever de casa,não vai brincar!" Hoje os pais não estão nem aí pra saberem se os filhos aprendem ou não! Querem é receber "Bolsa-família".

    3º-"A “pressão” existente para que o aluno seja aprovado, vemos isso principalmente nas prefeituras, onde o aluno é mal formado e “empurrado” para a rede do Estado."

    "O aluno é coitaidinho: o aluno é um ser em construção, mas quando é indisciplinado, algumas direções se mostram permissivas e sempre contra o professor, muitas vezes sem apurar os fatos direitos. As direções se tornam permissivas demais. Não querem se comprometer com a comunidade.E sempre é um coitadinho, nunca vai passar disso, então é aprovado por pena."


    Basta ver como é a avaliação na Prefeitura do Rio! Uma tal de "avaliação global".Na Revista Piauí,edição de Fevereiro de 2011 veio uma reportagem grande e muito boa falando sobre isso.
    Essa vitimização do aluno é irritante! E a realidade aí fora é outra: A VIDA NÃO TEM PENA DE NINGUÉM! Isso é péssimo para a formação do aluno! A realidade é distorcida pra eles.


    4º-"A volta da meritocracia para o ALUNO: Precisamos voltar a separar as turmas dos alunos “Fortes” dos “fracos” pois a educação inclusiva acaba excluindo o bom aluno. O bom aluno precisa ser reconhecido dentro da instituição de ensino e, precisamos de condições para preparar melhor aquele aluno que faz por merecer melhores oportunidades na vida."


    No meu tempo era assim! Essa separação precisa voltar! Mas essas pedagogias modernosas impedem isso!Dizem que fomenta a inveja e a competição.

    MAS A VIDA REAL É ASSIM! E QUANDO NOSSOS ALUNOS "CAÍREM" NO MERCADO DE TRABALHO,SEM QUALIFICAÇÃO ALGUMA,ANALFABETOS FUNCIONAIS,COM A REALIDADE DISTORCIDA? QUEM TERÁ PENA DELES?

    Parabéns,professor!Já virem fã desse blog!

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